dith derdyk sobre

Sobre edith derdyk
(1996)

Essa foi a primeira publicação inteiramente sobre o trabalho da artista. Edith vinha de uma trajetória na qual o desenho tinha uma expressão muito forte, e naquele momento seu trabalho artístico ganhava novas dimensões, utilizava a linha, o fio, de forma orgânica, como elemento do trabalho plástico.

O design gráfico deve otimizar a expressão dos conteúdos, sem sobrepor-se a eles. Quando se trata de apresentar um assunto de forte conteúdo visual, essa questão fica mais evidente e qualquer exagero pode produzir resultados grotescos. Para ilustrar isso, lembro que certa vez vi um livro sobre o carnaval, onde o tratamento gráfico não dialogava nada com o assunto: as soluções eram mais dignas de uma MTV, com estereótipos do “digital-moderno”.
Nesse catálogo, busquei dialogar com a produção da artista, fazendo referências ao uso que ela faz das transparências, sobreposições, com o foco em escalas diferentes, ora mostrando a relação da peça com o espaço, ora se aproximando do detalhe.

A evidência dessa relações está no uso de algumas folhas transparentes, em meio às páginas em papel couché, em papel vegetal onde, sobrepostas, encaixam os textos em linhas desencontradas; fotografias “abertas”, da artista trabalhando em seu ateliê, estão ao lado de outras onde o detalhe mostra a agulha conduzindo o fio para dentro do material; páginas inteiras reproduzem detalhe do material, enquanto que pequenas fotos mostram a peça toda.

O catálogo é espelhado, de modo que a versão do texto em inglês aparece separadamente, depois da metade do volume, onde a série Subcutâneos divide as duas seções.

O uso de cor no catálogo é sutil – brancos, beges – dialogando com o próprio trabalho da artista.

Catálogo de obras artísticas de Edith Derdyk
edição de imagens Ruth Klotzel | Edith Derdyk
fotografias Gal Oppido
produção gráfica Rogério Nicolau